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domingo, 21 de dezembro de 2008

Há que se desejar as boas-vindas. E uma boa viagem.



Viajávamos por uma estrada que seguia por entre fazendas e pequenos vilarejos, num fim de tarde meio cinza com chuvas que iam e vinham. Sentado no banco do passageiro, contemplando a bucólica paisagem repleta de mangueiras carregadíssimas de frutos, ele rompe o silêncio e diz em tom convicto e com uma crença quase ingênua de que fazia a maior das constatações: “Eu sei que tem mais manga do que gente no mundo, mas na minha época não era assim”. E em meio às nossas inevitáveis gargalhadas, justifica a frase solta: “Quando eu era garoto, a gente não resistia à tentação de um pé de manga carregado. A meninada pegava todas e, com certeza, naquela época tinha mais gente do que manga, porque não sobrava nenhuma pra contar história”. E, com a singeleza de uma criança e os olhos de uma infância que eu não conheci, meu pai relatou a mim e a minha mãe as suas peripécias para conseguir derrubar uma manga madura do pé. E nós duas, sem conseguir conter o riso, entendemos que os frutos eram mais saborosos quando faltavam mangas e sobravam crianças a subir em árvores.

E assim, com a beleza de uma frase tão simples e espontânea, decidi começar um blog que fala de viajar por entre as palavras e frases e mergulhar no mundo da imaginação, aonde fantasia e ficção confundem-se, mas servem a um só propósito: o prazer em escrever.

Sejam bem-vindos a esta humilde morada de idéias que pretende, despretensiosamente, tornar os planos menos planos e os sonhos mais sonhos.