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terça-feira, 22 de junho de 2010

Muros altos


Hoje eu sorri pro mundo e ele não me sorriu de volta. Pensei que o mundo poderia estar zangado com tantas agressões que o bicho-homem tem feito a ele. Ao invés de provocar um maremoto, resolveu me fechar a cara.

Depois de um tempo segurando meu sorriso amarelo, entendi que o mundo continuava girando. O sol tinha nascido. E até a lua dava o ar da graça mesmo no dia claro. Com o mundo estava tudo bem, na medida do possível, é claro. Quem viu as rugas na testa dele fui eu. O tom de cinza era cor da minha paleta. Pintei o mundo de fuligem para não admitir que a sujeira estava em mim.

Decidi soprar bem forte para afastar a névoa que me ofuscava a visão. Um suspiro para descortinar o mundo. Tentei olhar para ele com mais amor e poesia. Consegui encontrar respostas para as minhas perguntas. Só vejo beleza quando ela está comigo.

Nem sempre as portas estão abertas. Às vezes é preciso pular muros para continuar caminhando.

segunda-feira, 23 de março de 2009

S-A-U-D-A-D-E


Quando não se mata a saudade, ela acaba nos matando. Matando de fome e de sede como se anulasse todos os sentidos e quisesse ser única dentro de nós. Toma conta dos pensamentos, da nossa rotina e de cada momento em que não conseguimos ficar imunes ao seu poder implacável.

Sentir saudade é cavar vazios no peito. É, também, ter a certeza de que os buracos são proporcionais a sentimentos bons e verdadeiros. Só sentimos saudade daquilo que amamos. Quanto mais amor, mais saudade. Há também os que sentem saudade de uma dor. Mas tudo o que dói um dia, já foi amor.

Saudade é a soma do amor com o vazio que ele deixa.